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Política

FMI fecha escritório no Brasil após críticas de Paulo Guedes

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou, em nota, que fechará o escritório sediado em Brasília. A novidade vem um dia após o ministro da Economia, Paulo Guedes, criticar as previsões da instituição a respeito da economia brasileira. Na fala, Guedes também criticou o atual diretor para o Hemisfério Ocidental do FMI, Ilan Goldfajn. As falas de Guedes repercutiram no cenário político.

Apesar disso, o Brasil já não tinha mais tratativas formais com a instituição. Isso porque a parceira entre Brasil e FMI terminou em 2005, quando o Brasil terminou o pagamento de sua dívida com a entidade.

Paulo Guedes fez duras críticas

Na última quarta-feira (15), durante um evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ministro Paulo Guedes fez duras críticas ao FMI, principalmente quando perguntado sobre as previsões para a economia brasileira. Na fala, Guedes citou, explicitamente, o nome de Ilan Goldafjn, presidente do Banco Central do Brasil de 2016 a 2019.

Achavam que o Brasil iria cair 10%, caiu 4%. Depois, que ia ficar em recessão e voltou em V, com crescimento forte, e agora a desgraça foi rolada para o ano que vem. O ano que vem é que vai ser desgraça”, ironizou o ministro. Além disso, o ministro ainda citou a situação de desequilíbrio fiscal dos governos anteriores, afirmando que o Brasil precisava do FMI anteriormente. Contudo, o ministro disse dispensar a ajuda do fundo.

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As previsões anteriores todas estavam erradas. Dizer até com muita delicadeza que estamos dispensando a missão do FMI. Eles estão aqui já há bastante tempo porque tinham o que fazer, né? [O Brasil] vivia sempre em desequilíbrio, mas estamos dispensando. Pode voltar. Estão dispensados, podem ir passear lá fora”, continuou o ministro. Apesar disso os acordos financeiros entre Brasil e FMI terminaram há 16 anos. Desde então, o país passou a emprestar dinheiro ao fundo diversas vezes, inclusive na gestão de Ilan Goldfajn no Banco Central.

Foto: Reuters

O fechamento mostra um problema para o Brasil

De certa forma, a imagem do Brasil fica abalada no cenário internacional. Isso porque, segundo analistas em política, o Brasil, na atual gestão, tomou diversas medidas contrárias às experiências históricas do país, o que impactou negativamente a imagem perante o mundo. Além do caso de Paulo Guedes, falas de agora ex-ministros contribuem para um período conturbado nas relações exteriores do Brasil.

Com o alinhamento do governo aos Estados Unidos de Donald Trump, Bolsonaro e apoiadores tomaram um discurso contrário às intervenções e aos interesses chineses. Posteriormente, um dos resultados foi as falas racistas de Abrahan Weintraub, ex-ministro da Educação, em suas redes sociais no Twitter. Além disso, Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores, foi fortemente criticado por evitar negociar com o país asiático doses de vacina, ainda em março. Ambos foram desligados do governo.

Atualmente, a fala de Guedes é mais um episódio que pode gerar crise para o setor de relações do Brasil. Além disso, o fechamento do escritório do FMI dificulta negociações e trocas de informações entre o país e a autoridade internacional. Em termos de geopolítica, o Brasil parece se isolar do restante do mundo, segundo especialistas. Ainda sobre Ilan Goldfajn, Guedes afirmou que o diretor do FMI não precisa voltar ao Brasil. “Já que vamos ter um brasileiro que conhece bastante o Brasil e critica a gente no FMI [Ilan Goldfajn], não precisamos ter mais aqui dentro. Deixa a turma falar mal da gente lá fora em vez de falar mal aqui dentro também”, disse o ministro.

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