Segundo pagamento do 13º do INSS chega menor: entenda os descontos que começam a valer

Milhões de aposentados e pensionistas começaram a perceber, no extrato bancário de hoje, que a 2ª parcela do 13º do INSS é mais enxuta do que a primeira. Esse “baque” costuma pegar alguns segurados de surpresa, mas tem explicação simples: é agora que o desconto do Imposto de Renda (IR) e de outras retenções obrigatórias entra em cena. Se você quer saber quanto vai receber, por que a diferença existe e como planejar o orçamento com antecedência, fique comigo até o final deste artigo.

Como funciona o calendário do 13º do INSS em 2026

O Instituto Nacional do Seguro Social antecipa o abono desde 2020. Em 2026, o cronograma foi dividido em duas rodadas, obedecendo ao final do Número de Identificação Social (NIS) ou do benefício:

  • Benefícios de até um salário mínimo: depósitos de 24 de maio a 7 de junho (1ª parcela) e de 24 de junho a 7 de julho (2ª parcela).
  • Benefícios acima do mínimo: depósitos de 3 a 7 dias úteis após essas datas.
  • Quem recebe Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas) não tem direito ao 13º.

A primeira metade corresponde exatamente a 50% do valor bruto do benefício, sem qualquer abatimento. Já a 2ª parcela do 13º do INSS traz o ajuste final: é sobre ela que incidem tributos e eventuais descontos contratuais. Por isso, ao comparar, muitos segurados acham que “receberam errado”, quando, na verdade, trata-se de regras previstas em lei desde 26 de dezembro de 1991 (Lei 8.213).

Por que a 2ª parcela do 13º do INSS vem menor no seu extrato

A diferença básica está na aplicação dos abatimentos que não foram cobrados na primeira metade. Veja o que pesa no cálculo:

  • Imposto de Renda: incide apenas na segunda parcela e somente para quem ultrapassa o limite de isenção.
  • Pensão alimentícia judicial: descontada proporcionalmente nas duas parcelas, mas pode se concentrar na segunda, a pedido do beneficiário ou por decisão judicial.
  • Empréstimo consignado: a parcela mensal recai também sobre o abono, reduzindo o valor líquido.
  • Contribuição sindical (categoria de aposentados): opcional, mas pode aparecer.

“O INSS só faz retenções autorizadas em lei ou por ordem judicial. Qualquer outro desconto deve ser comunicado ao segurado com 30 dias de antecedência”, esclarece o advogado previdenciário João Lucas Mendes.

Em números práticos, se a sua primeira parcela foi de R$ 900, é provável que a 2ª parcela do 13º do INSS chegue a R$ 700 ou R$ 650, dependendo da faixa de IR e de outros compromissos financeiros.

Entenda o desconto do Imposto de Renda que começa hoje

O desconto do IR é o principal responsável pela sensação de “apagão” no extrato. A Receita Federal estabelece faixas progressivas. Em 2026, quem soma rendimentos mensais de até R$ 2.259,20 está isento. Para aposentados acima de 65 anos, há isenção adicional de R$ 3.807,00 anuais, o equivalente a R$ 316 mensais.

Veja como o cálculo é feito:

  • Primeira parcela: paga integralmente, sem IR.
  • Segunda parcela: valor bruto menos a tabela de IR; depois, aplica-se a dedução por dependente, se houver.

Exemplo simplificado:

Segundo pagamento do 13º do INSS chega menor: entenda os descontos que começam a valer - Imagem do artigo original

Imagem: Notícias Benefícios

  • Benefício mensal: R$ 3.000
  • 13º bruto: R$ 3.000
  • 1ª parcela: R$ 1.500 (sem IR)
  • Base de cálculo IR (2ª parcela): R$ 1.500
  • Alíquota 7,5% = R$ 112,50
  • Parcela a deduzir: R$ 169,44
  • IR final: isento (resultado negativo após dedução)

Quem recebe acima de R$ 4.500 pode ter alíquotas de até 27,5%, o que derruba substancialmente a 2ª parcela do 13º do INSS. É por isso que, para parte dos segurados, o valor líquido mal chega à metade da primeira.

Outras retenções possíveis: pensão alimentícia, empréstimo consignado e afins

Além do IR, existem descontos contratuais ou judiciais que podem se concentrar neste pagamento extra:

  • Pensão alimentícia: se o titular é devedor de alimentos, o juiz pode determinar que o percentual incida sobre o 13º integralmente.
  • Empréstimo consignado: o abatimento não pode ultrapassar 45% da renda (soma de 35% para crédito pessoal, 5% para cartão de crédito e 5% para cartão benefício). Essa regra vale também para o abono.
  • Contribuições a associações: sindicatos e clubes de benefícios podem descontar valores desde que autorizados por escrito.

Na prática, um segurado que já usa 35% da renda para empréstimos terá a mesma proporção retirada da 2ª parcela do 13º do INSS. Por isso, a recomendação é revisar contratos antes de contratar novos créditos.

Como consultar o valor líquido e planejar suas finanças

A maneira mais rápida de verificar quanto cairá na conta é acessar o Meu INSS (aplicativo ou site):

  • Faça login com Gov.br.
  • Clique em “Extrato de Pagamento”.
  • Selecione o mês de junho ou julho, conforme seu calendário.
  • Veja o campo “13º – 2ª parcela” e os descontos detalhados em linhas separadas.

Se notar débito que não reconhece, ligue 135 ou registre reclamação. Para organizar o orçamento, especialistas sugerem:

  • Anotar o valor líquido assim que o extrato sair.
  • Priorizar dívidas com juros altos, caso precise do recurso extra.
  • Reservar parte para despesas sazonais (IPTU, material escolar, viagens de fim de ano).
  • Aproveitar isenção de IR para maiores de 65, solicitando retificação, se necessário.

“Planejamento é a melhor forma de transformar o 13º em aliado, não em dor de cabeça”, reforça a educadora financeira Carla Furtado.

Agora que você entende por que a 2ª parcela do 13º do INSS é mais baixa, acompanhe os extratos e evite surpresas. E lembre-se: nenhum banco ou intermediário pode antecipar o abono sem cobrança de juros — fique atento a ofertas “milagrosas”.

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