Fraudes no INSS: entenda como dados vazados alimentam golpes e saiba como se proteger

Investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) trouxeram à tona um esquema de fraudes no INSS que teria utilizado dados pessoais vazados para liberar benefícios previdenciários de forma indevida. Segundo fontes ligadas ao caso, ao menos 30 mil benefícios já estão sob suspeita, com um potencial prejuízo de cerca de R$ 2 bilhões aos cofres públicos. Entender como o golpe funciona e quais medidas adotar para se proteger tornou-se indispensável para os mais de 39 milhões de segurados da Previdência Social.

Como o esquema de fraudes no INSS foi descoberto

A operação, batizada de Falso Amparo, começou depois que auditores da CGU identificaram um aumento incomum de concessões de benefícios em curto espaço de tempo. Os indícios apontavam para a utilização de CPFs, datas de nascimento e números de NIT de segurados que nunca haviam solicitado aposentadorias ou pensões. A partir daí, a PF passou a cruzar informações com bancos pagadores e constatou a existência de depósitos fracionados em contas recém-abertas.

“A combinação de dados vazados e servidores infiltrados facilitou a produção de documentos falsos e a inclusão dos benefícios no sistema”, resumiu um delegado responsável pelo inquérito.

O avanço da investigação resultou na execução de 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados, além do bloqueio de R$ 125 milhões em ativos dos suspeitos.

Quais dados vazaram e por que eles são valiosos

Os golpistas tiveram acesso a três conjuntos de informações: dados cadastrais (CPF, RG, endereço), histórico trabalhista (vínculos no CNIS) e registros bancários básicos. Essas informações permitem:

  • Emitir procurações fraudulentas para “representar” o segurado.
  • Gerar documentos falsos para comprovar tempo de contribuição.
  • Alterar dados de contato e impedir que o titular perceba movimentações suspeitas.

No mercado clandestino, um dossiê completo de um segurado “limpo” pode chegar a R$ 800, segundo relatório da Associação Brasileira de Segurança da Informação (ABSI). O valor sobe quando os dados incluem histórico de doenças ou laudos médicos, fundamentais para benefícios por incapacidade.

Consequências financeiras e sociais das fraudes

Além do impacto direto nas contas públicas, estimado pela CGU em quase R$ 2 bilhões no último triênio, as fraudes geram atrasos na análise de benefícios legítimos, sobrecarregando as agências do INSS. Para o segurado, o risco é duplo: ter seu pedido indeferido por suspeita de irregularidade ou descobrir que já existe um benefício em seu nome — situação que exige meses para ser revertida. Há ainda o dano moral: nomes negativados por contas abertas sem autorização e a exposição de dados sensíveis a outras práticas criminosas, como empréstimos consignados não contratados.

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Imagem: Pinterest. via noticiasbeneficios.com.br

A resposta das autoridades: ações da PF e CGU

Com base na Lei 13.846/2019, que endureceu o combate a fraudes previdenciárias, a PF criou grupos de trabalho com a Dataprev e o Ministério da Previdência para monitorar concessões em tempo real. Entre as medidas anunciadas estão:

  • Implementação de biometria facial obrigatória em novos pedidos de aposentadoria até o fim de 2025.
  • Revisão imediata de benefícios concedidos nos últimos 24 meses em perfis de risco.
  • Capacitação de servidores para identificar padrões de fraude em sistemas internos.

A CGU, por sua vez, intensificou auditorias cruzando bases de dados do CadÚnico, Receita Federal e Justiça Eleitoral. A expectativa é economizar R$ 6 para cada R$ 1 investido em prevenção, conforme projeção do Tribunal de Contas da União (TCU).

Como o segurado pode identificar e evitar golpes

Embora a responsabilidade primária de proteção recaia sobre o Estado, o cidadão pode tomar atitudes para reduzir o risco de ter seus dados usados em golpes no INSS:

  • Ative a verificação em duas etapas no portal Meu INSS e no app Gov.br.
  • Consulte regularmente o extrato de pagamento de benefícios (Histórico de Créditos).
  • Mantenha seus dados atualizados no CadÚnico e na Receita Federal, evitando endereços ou telefones desatualizados.
  • Desconfie de ligações que pedem envio de documentos por e-mail ou WhatsApp.
  • Registre boletim de ocorrência imediato ao detectar movimentação estranha e comunique o INSS pelo telefone 135.

Segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), essas ações diminuem em até 70 % a chance de sucesso de fraudadores.

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