Tarifaço nos EUA dispara dólar e encarece compras: saiba o que muda no seu bolso
Palavra-chave principal: tarifaço americano
Por que o tarifaço americano foi aplicado?
Desde 1º de agosto de 2025, o governo dos Estados Unidos ampliou de 15% para até 25% as tarifas sobre aço, alumínio, semicondutores e mais 4 000 itens importados. A medida visa conter o déficit comercial norte-americano, mas acendeu um efeito dominó nos mercados globais. O Brasil não sofreu tarifas diretas na maior parte dos produtos, porém teve seu realinhamento cambial acelerado. Segundo o Banco Central, o dólar subiu de R$ 5,35 para R$ 5,45 na primeira semana pós-anúncio, avanço de 1,8% que já repassa custos a toda a cadeia produtiva. Especialistas da Fundação Getulio Vargas (FGV) projetam inflação adicional de 0,25 ponto percentual até dezembro se o câmbio permanecer acima de R$ 5,40.
Dólar mais caro: impacto imediato no supermercado brasileiro
Com 70% do trigo e boa parte dos fertilizantes usados no País cotados em dólar, o tarifaço americano pesou na importação desses insumos. A Associação Brasileira da Indústria de Panificação (Abip) calcula que o saco de farinha de trigo ficou 6,4% mais caro em agosto, refletindo no pão francês que chega à mesa do consumidor. Produtos eletrônicos também sentiram: levantamento da Confederação Nacional do Comércio mostrou aumento médio de 12% em notebooks e 9% em smartphones na primeira quinzena do mês.
- Trigo: +6,4% no custo
- Óleo de soja: +4,1%
- Eletrônicos: até +12%
“Mesmo sem tarifa direta sobre o Brasil, o impacto é global. O câmbio mais alto afeta tudo que depende de insumo importado”, afirma Paula Montani, economista do Ibre/FGV.
Viagens internacionais ficam até 18% mais salgadas
Para quem sonhava com férias em Orlando ou Nova York, a notícia não é das melhores. O dólar turismo bateu R$ 5,62 em 15 de agosto, maior patamar desde fevereiro de 2024. A Associação Brasileira de Agências de Viagem (ABAV) aponta encarecimento médio de 18% nos pacotes que incluem passagens e hospedagem nos EUA. Além disso, o imposto sobre remessas ao exterior (IOF) de 5,38% incide sobre um câmbio já alto, multiplicando a conta final.
Na prática, uma família de quatro pessoas que planejava gastar US$ 5 000 terá de desembolsar cerca de R$ 28 100, R$ 4 300 a mais do que antes do tarifaço. As companhias aéreas também repassam custos de querosene, indexado ao dólar, e as promoções tendem a ser raras enquanto a volatilidade persistir.
Indústria nacional sente pressão nos custos de insumos
Embora alguns setores vejam oportunidade de substituir importações, a realidade imediata é de pressão de custos. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) relatou que 58% das empresas associadas já revisaram orçamentos para 2025. Componentes eletrônicos, aço laminado e embalagens metálicas encareceram em média 9,7% nas cotações de agosto.
Imagem: Agência Brasil via obolsafamiliabrasil.com.br
Consequências prováveis até o fim do ano:
- Automotivo: repasse de 2% a 4% nos veículos zero-km
- Construção: aumento de 3% no preço do metro quadrado
- Eletrodomésticos: reajuste gradual de 5% em linhas importadas
A curto prazo, a indústria tenta renegociar contratos em reais, mas importadores dependem de moedas fortes. Caso o câmbio permaneça acima de R$ 5,50 por três meses, analistas da XP Investimentos preveem corte de até 0,3 ponto percentual no PIB de 2025.
Estratégias práticas para driblar os aumentos em 2025
Ninguém controla a política comercial dos EUA, mas algumas atitudes mitigam o estrago no dia a dia:
- Antecipar compras de itens importados de alta variabilidade (eletrônicos, peças de carro) antes de novos reajustes.
- Substituir produtos importados por equivalentes nacionais; móveis e eletroportáteis já têm fabricados locais competitivos.
- Planejar viagens com maior antecedência, monitorando passagens em aplicativos de alerta de preços e optando por destinos onde o real é mais forte, como América do Sul.
- Usar cartão multimoedas para travar o câmbio quando ele recua, evitando surpresas na fatura.
- Rever investimentos: quem tem despesas em dólar pode alocar parte da carteira em fundos cambiais para proteger poder de compra.
Para as empresas, especialistas recomendam priorizar contratos de longo prazo com fornecedores e ampliar estoques de insumos críticos enquanto a volatilidade persiste.
O cenário ainda é dinâmico. Se as negociações entre EUA, China e União Europeia avançarem nos próximos meses, o real pode recuperar parte do espaço perdido, aliviando preços no Brasil. Entretanto, tão importante quanto acompanhar notícias é adotar medidas preventivas agora, garantindo que o impacto do tarifaço americano não comprometa o orçamento familiar nem a saúde financeira dos negócios.