Preços dos produtos ‘na porta de fábrica’ disparam em 2022

Os brasileiros continuam sofrendo com altos preços dos bens e serviços no país. De acordo com o IBGE, o Índice de Preços ao Produtor (IPP), que mede a inflação na “porta de fábrica”, acumula forte alta de 11,46% entre janeiro e julho deste ano.

A saber, o IPP mede os preços dos produtos sem impostos e frete. Em outras palavras, o valor dos bens é menor, visto que há menos fatores para encarecê-los. No entanto, a forte alta acumulada em 2022 mostra que a população brasileira continua tendo que pagar caro para adquirir muita coisa no país.

Segundo o IBGE, a taxa acumulada entre janeiro e julho deste ano é a segunda maior para o período desde o início da série histórica, em 2014. Aliás, o valor ficou ainda mais expressivo devido ao resultado de julho, mês em que os preços “na porta de fábrica” subiram 1,21%.

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Dois grupos responderam por quase todo o avanço do IPP

O economista do IBGE, Manuel Campos, explicou que dois grupos responderam por 1,15 pontos percentuais da variação de 1,21% em julho: alimentos e refino de petróleo e biocombustíveis.

Isso quer dizer que apenas duas das 24 atividades pesquisadas foram praticamente as únicas responsáveis pela disparada do IPP no mês passado.

Em suma, o grupo de alimentos responde por quase um quarto da variação do IPP. Em julho, os preços da atividade subiram 2,97%, impulsionando a inflação “na porta de fábrica”.

“Os produtos que mais influenciaram o resultado foram o leite e seus derivados, seguido pelo açúcar, derivados de soja e carnes e suas miudezas de aves congeladas”, disse Campos.

Por sua vez, os preços no grupo de refino de petróleo e biocombustíveis subiram 3,45% em julho. A propósito, este é o grupo com a maior alta acumulada entre janeiro e julho deste ano, de impressionantes 35,99%. Nos últimos 12 meses até julho, a taxa chega a 59,94%.

“Os grandes responsáveis pelo aumento no mês foram o óleo diesel e a gasolina. Este valor nos últimos doze meses, apesar de elevado, fica distante do recorde de 106,57% ocorrido em maio de 2021”, explicou Campos.

Por fim, o economista destacou as variações nas taxas de câmbio. De acordo com ele, o fortalecimento do dólar em julho complicou ainda mais a vida do brasileiro, encarecendo diversos produtos no país.

“A valorização do dólar frente ao real em 6,3%, maior variação positiva nos últimos doze meses, elevou o preço dos produtos de exportação, como, por exemplo, o farelo de soja, e também os custos das matérias primas e insumos que são importados”, finalizou.

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