Governo libera crédito especial para entregadores financiarem motos em 2026
Comprar a primeira moto é o sonho de milhares de entregadores de aplicativo que dependem de veículos alugados ou emprestados. Para facilitar esse caminho, o governo federal anunciou em 4 de junho de 2026 uma linha de crédito para entregadores que desejam adquirir motocicletas novas ou usadas de forma acessível. A iniciativa, coordenada pelos ministérios do Trabalho e da Fazenda em parceria com bancos públicos, promete juros abaixo da média de mercado, carência inicial e prazo estendido de pagamento. A seguir, veja quem pode participar, quais são as condições e o passo a passo para garantir o financiamento.
O que motivou a criação da nova linha de crédito
Segundo nota oficial do Ministério do Trabalho, mais de 1,5 milhão de profissionais atuam como entregadores no Brasil. Boa parte deles trabalha em regime de aluguel de motos, pagando diárias que consomem até 40% do faturamento mensal. Para melhorar a renda líquida desses trabalhadores e estimular a formalização, o governo lançou a linha de crédito para entregadores com foco em microempreendedores individuais (MEIs) cadastrados em aplicativos de delivery.
A proposta surgiu após reuniões com centrais sindicais e representantes de plataformas digitais, que apontaram a falta de acesso a financiamento como principal barreira para a autonomia do entregador. O plano também conversa com a agenda de transição energética: há incentivos extras para quem optar por motos elétricas produzidas no país.
Quem pode solicitar e quais são os requisitos
A elegibilidade da linha de crédito para entregadores segue critérios claros para evitar fraudes e priorizar quem realmente vive do serviço:
- Ser maior de 18 anos e possuir CNH categoria A válida há pelo menos 12 meses.
- Estar registrado como MEI ou microempresa há, no mínimo, 6 meses.
- Comprovar renda mensal média entre R$ 1.500 e R$ 8.000 gerada por aplicativos de entrega (iFood, Rappi, 99Food, entre outros).
- Estar adimplente no CPF e no CNPJ, sem restrições em órgãos de proteção ao crédito.
- Realizar curso online gratuito de educação financeira oferecido pelo Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal.
Entregadores que recebem o Auxílio Gás ou fazem parte do CadÚnico também poderão solicitar o financiamento, desde que respeitem os requisitos de renda e regularidade cadastral.
Condições de financiamento: juros, prazos e limites
O desenho financeiro aprovado pelo Conselho Monetário Nacional prevê recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do BNDES. As condições principais são as seguintes:
- Valor financiável: até R$ 15.000 para motos convencionais; até R$ 20.000 para motos elétricas.
- Entrada mínima: 10% do valor do veículo.
- Taxa de juros: Taxa Referencial (TR) + 7% ao ano, cerca de 1,1% ao mês.
- Prazo total: de 12 a 48 meses, com possibilidade de quitação antecipada sem multa.
- Carência: 6 meses para pagamento da primeira parcela do principal (apenas juros nesse período).
Para estimular a sustentabilidade, motos elétricas contam com bônus de 0,5 ponto percentual na taxa de juros e possibilidade de financiamento de carregador residencial. Já para modelos convencionais, o seguro obrigatório e as taxas de emplacamento podem ser incluídos no valor financiado.
Passo a passo para pedir o crédito
O procedimento foi simplificado para evitar burocracia excessiva. Veja as etapas principais:
Imagem: Magnific
- Baixar o aplicativo “Crédito Entregador” ou acessar o portal do banco participante.
- Preencher cadastro com CPF, CNPJ (MEI) e dados bancários.
- Autorizar a integração com plataformas de entrega para validação automática de renda.
- Enviar cópias digitais da CNH, comprovante de residência e orçamento da moto pretendida.
- Concluir o curso de 4 horas de educação financeira e gerar o certificado.
- Aguardar análise de crédito (prazo médio de 48 horas).
- Assinar o contrato eletronicamente e liberar o pagamento direto à concessionária.
Em caso de aprovação parcial, o sistema oferece simulação com valores menores ou prazos diferentes. Caso o solicitante possua restrições, o banco libera orientação para regularização e nova tentativa após 90 dias.
Impacto esperado para entregadores e setor de mobilidade
Projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que a linha de crédito para entregadores pode elevar em até 18% a renda líquida mensal, pois elimina despesas com aluguel de motos e reduz gastos com manutenção. Além disso, estima-se a formalização de 320 mil MEIs até o fim de 2027, contribuindo para arrecadação previdenciária.
“Com o financiamento subsidiado, o entregador passa de locatário a proprietário, gerando patrimônio e estabilidade financeira”, destacou a secretária de Microcrédito do Ministério da Fazenda, Ana Paula Morais.
Para o setor de mobilidade, a medida deve aquecer as vendas de motos de baixa cilindrada e acelerar a adoção de modelos elétricos. Montadoras já anunciaram linhas de produção exclusivas para delivery, com baús integrados e manutenção simplificada.
O governo avalia que, se o programa alcançar 500 mil contratos nos primeiros dois anos, será possível renovação automática do fundo garantidor, reduzindo ainda mais os juros para futuras fases.
Em resumo, a nova linha de crédito para entregadores surge como alternativa concreta para quem deseja conquistar independência sem comprometer o orçamento. Fique atento aos bancos credenciados e organize seus documentos para aproveitar as condições especiais enquanto durarem os recursos.