INSS rompe parceria com Crefisa: veja por que e o que muda no consignado dos aposentados

O INSS suspende acordo com a Crefisa depois de receber uma avalanche de reclamações de beneficiários sobre taxas acima do teto e assédio comercial. A decisão, oficializada em 20/08/2025, impede a financeira de oferecer novos empréstimos consignados do INSS até segunda ordem. Quem já tem contrato segue pagando normalmente, mas pode portar o crédito para outro banco caso queira reduzir juros.

Por que o INSS cancelou o convênio com a Crefisa?

Segundo nota assinada pelo presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, três motivos levaram à medida preventiva:

  • Taxas efetivas médias de 2,22% ao mês, acima do teto regulamentado de 1,80%.
  • Mais de 3,1 mil reclamações registradas no Consumidor.gov.br em 12 meses, concentradas em descontos indevidos e contratos não solicitados.
  • Divergências no envio de arquivos eletrônicos ao Dataprev, que dificultaram a conferência dos limites de margem consignável.

O INSS abriu processo administrativo e notificou a financeira em julho. Como a empresa não adequou os procedimentos até o prazo de 15 dias úteis, o órgão optou pela suspensão cautelar.

O que acontece com quem já tem empréstimo consignado?

Os contratos assinados até 19/08/2025 continuam válidos. As parcelas serão descontadas normalmente na folha de pagamento, porque o débito é automatizado. Entretanto, o aposentado ou pensionista tem duas opções se desejar escapar dos juros elevados:

  1. Portabilidade: é permitido migrar o contrato para outra instituição sem cobrança de IOF. Basta solicitar à nova financeira, que deve concluir o processo em até 10 dias úteis.
  2. Liquidação antecipada: o cliente pode quitar o saldo devedor a qualquer momento, recebendo desconto de todos os juros futuros.

Para ambos os casos, o segurado deve pedir ao banco de destino o saldo devedor atualizado fornecido pela Crefisa num prazo máximo de 1 dia útil, conforme norma do Banco Central.

Quais são os efeitos imediatos para quem pensava em contratar crédito?

A suspensão atinge cerca de 1,7 milhão de segurados que tinham a Crefisa como canal principal de crédito. Esses beneficiários precisarão recorrer a outros 44 bancos ou financeiras conveniadas ao INSS. Confira as principais mudanças que entram em vigor:

Aspecto Como era com a Crefisa Como fica agora
Margem consignável Disponível em até 24 h Mantém-se, mas liberada por outro banco
Prazo máximo Até 84 meses Igual, conforme Res. CNPS nº 142
Taxa média 2,22% a.m. Entre 1,56% e 1,80% a.m.*

*Dados do Banco Central referentes a julho/2025.

Como evitar problemas ao contratar consignado do INSS

A suspensão acendeu o alerta sobre boas práticas na concessão de crédito ao idoso. Para minimizar riscos, o INSS recomenda:

INSS rompe parceria com Crefisa: veja por que e o que muda no consignado dos aposentados - Imagem do artigo original

Imagem: B Bolsa Família Brasil via noticiasbeneficios.com.br

  • Consultar o site Meu INSS antes de assinar qualquer contrato e verificar a margem disponível.
  • Comparar taxas no Ranking de Juros do BC e desconfiar de ofertas muito fáceis.
  • Jamais enviar selfie, documentos ou senha via redes sociais. As instituições sérias usam portais criptografados.
  • Pedir a cópia do contrato e guardar comprovante de quitação.
  • Registrar reclamação no 135 ou no Consumidor.gov.br se identificar desconto não autorizado.

Posicionamento da Crefisa e próximos passos do processo

“A Crefisa reitera que segue todas as normas do Banco Central e do INSS. Estamos colaborando para elucidar divergências técnicas e confiamos na rápida retomada do convênio”, informa nota da empresa.

Apesar do discurso conciliador, fontes no Ministério da Previdência afirmam que a investigação poderá resultar em multa de até R$ 5 milhões e, em caso de reincidência, descredenciamento definitivo. O processo tramita na Diretoria de Benefícios e pode levar até 90 dias para decisão final.

Alternativas de crédito e benefícios para aposentados

Paralelamente ao empréstimo consignado, o aposentado pode recorrer a linhas com juros geralmente menores:

  • Refinanciamento imobiliário: taxa média de 1,1% a.m., mas exige imóvel quitado.
  • Antecipação do 13º salário: custo efetivo médio de 1,2% a.m. e quitação única.
  • Consórcio: sem juros, apenas taxa de administração, indicado para compra planejada.

Vale ainda acompanhar as novas regras do consignado INSS previstas para 2026, que devem reduzir o teto de juros para 1,70% a.m. e aumentar a margem social de 5% para até 7% em casos de baixa renda.

O que o segurado deve fazer agora?

Quem foi impactado pela suspensão:

  • Não precisa correr ao banco: os débitos vigentes continuarão automáticos.
  • Se quiser juros menores, pode iniciar a portabilidade imediatamente.
  • Fique ligado no Meu INSS e nas notificações oficiais. Não confie em correntes de WhatsApp.
  • Em caso de dúvida, ligue 135 ou procure o CRAS mais próximo, que oferece orientação gratuita.

Para o restante dos aposentados, a recomendação é simples: informação é o melhor antídoto contra endividamento. Compare, questione e só feche negócio ao se sentir seguro.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.